A Trova no Brasil

Saudade, perfume triste
de uma flor que não se vê.
Culto que ainda persiste
num crente que já não crê.
de uma flor que não se vê.
Culto que ainda persiste
num crente que já não crê.
Eu peno todas as dores
com este amor que deus me deu.
Quem achou os seus amores,
a si mesmo se perdeu.
com este amor que deus me deu.
Quem achou os seus amores,
a si mesmo se perdeu.
Na década de 30, em pleno domínio do Modernismo, dois trovadores autênticos continuaram produzindo trovas: Belmiro Braga, poeta mineiro de Juiz de Fora ( 1870 – 1937 ) e o pernambucano Adelmar Tavares, a quem coube a missão de conduzir o estandarte da trova até a década de 50 quando Luiz Otávio, nome literário do dentista carioca Gilson de Castro, (1916 – 1977 ) inicia campanha nacional para a publicação de uma coletânea reunindo duas mil trovas de mais de seiscentos trovadores de todo o Brasil. O resultado de todo esse trabalho veio à luz em “Meus Irmãos, os Trovadores”, lançado em 1956 com absoluto sucesso, chegando a encabeçar várias listas de livros mais vendidos, redobrando o interesse pela trova e constituindo-se num marco do mais genuíno movimento literário brasileiro. Movimento que ganhou força com a criação, dois anos mais tarde, do Grêmio Brasileiro de Trovadores – GBT, entidade presidida pelo cordelista alagoano Rodolfo Coelho Cavalcante ( 1917 - 1986 ) e que congregava, além de cordelistas e violeiros, trovadores literários. Com o fomento dos jogos florais, concursos de trovas e encontros de trovadores e violeiros a década de 60 revelou-se como a década de ouro do trovismo brasileiro, tempo em que a trova e seus cultores ganharam espaço destacado em todos os meios de comunicação da época, com programas radiofônicos, páginas e colunas em jornais de grande circulação, edição de inúmeros livros, boletins informativos, etc. Em 1966, a já desgastada convivência entre trovadores literários e trovadores populares ( cordelistas e cantadores ), chegou ao fim, resultando na fundação da União Brasileira de Trovadores – UBT, presidida por Luiz Otávio, agora congregando trovadores e amigos da trova e assumindo o comando dos concursos de trovas e jogos florais, muitos dos quais persistem até hoje.
Na década de 80, o paranaense Eno Teodoro Wanke ( 1929 – 2002 ), grande estudioso da trova e dissidente da UBT, lançou as bases do “Neotrovismo” , movimento que incentivava e coordenava a criação de “Clubes de Trovadores” em todo o Brasil, além da criação da FEBET – Federação Brasileira de Entidades Trovistas. Tal movimento, apesar do esforço do seu idealizador, não logrou o êxito almejado e hoje, após sua morte ocorrida em 2002, excetuando a permanência do Clube dos Trovadores Capixabas presidido pelo trovador Clério José Borges, praticamente desapareceu.
Atualmente, a União Brasileira de Trovadores, já sem o brilho de décadas passadas, padece do mesmo mal que atingiu todas as entidades culturais do país, reflexo de uma sociedade cada dia mais globalizada e individualista. Apesar disso, a UBT-Nacional, através de suas seções municipais e delegacias, continua realizando os concursos de trovas e jogos florais. Recentemente, com o surgimento da Internet, a trova tem dado sinais de recuperação através de Blogs, Sítios e Comunidades de trovadores, uma poderosa ferramenta dos nossos dias para a produção e divulgação desse gênero tão antigo quanto popular e cativante.
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( Do livro: A Trova no Brasil, no Pará e no Folclore)
Na década de 80, o paranaense Eno Teodoro Wanke ( 1929 – 2002 ), grande estudioso da trova e dissidente da UBT, lançou as bases do “Neotrovismo” , movimento que incentivava e coordenava a criação de “Clubes de Trovadores” em todo o Brasil, além da criação da FEBET – Federação Brasileira de Entidades Trovistas. Tal movimento, apesar do esforço do seu idealizador, não logrou o êxito almejado e hoje, após sua morte ocorrida em 2002, excetuando a permanência do Clube dos Trovadores Capixabas presidido pelo trovador Clério José Borges, praticamente desapareceu.
Atualmente, a União Brasileira de Trovadores, já sem o brilho de décadas passadas, padece do mesmo mal que atingiu todas as entidades culturais do país, reflexo de uma sociedade cada dia mais globalizada e individualista. Apesar disso, a UBT-Nacional, através de suas seções municipais e delegacias, continua realizando os concursos de trovas e jogos florais. Recentemente, com o surgimento da Internet, a trova tem dado sinais de recuperação através de Blogs, Sítios e Comunidades de trovadores, uma poderosa ferramenta dos nossos dias para a produção e divulgação desse gênero tão antigo quanto popular e cativante.
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( Do livro: A Trova no Brasil, no Pará e no Folclore)
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